Racionalizando por Sabrina Zapelini Minatto – O caso Seif e a obrigação de dizer o que muitos preferem calar

O julgamento que envolve o senador Jorge Seif não é apenas mais um processo eleitoral em curso. Ele escancara um problema recorrente da política brasileira e que Santa Catarina precisa enfrentar com mais maturidade e menos conveniência: mandatos que existem no papel, mas entregam pouco ou quase nada ao estado que os elegeu.

Antes mesmo de qualquer decisão judicial, há uma pergunta que não pode ser ignorada. O que Jorge Seif fez por Santa Catarina desde que assumiu o Senado. A resposta é simples e incômoda. Muito pouco. Não há obras relevantes, não há grandes articulações federais, não há protagonismo em pautas estruturantes. O mandato se destacou mais por discursos e embates nacionais do que por resultados concretos para os catarinenses.

O Senado não é palanque permanente nem espaço para militância de ocasião. É uma das casas mais importantes da República e exige preparo, articulação e entrega. Santa Catarina não é um estado periférico e não pode aceitar representação fraca, tímida ou distante de suas reais necessidades.

Há ainda um ponto que precisa ser dito com honestidade. Jorge Seif não é catarinense. A lei permite que qualquer brasileiro dispute mandato em outro estado, e isso não está em discussão. O que está em debate é algo maior e mais profundo: política exige pertencimento. Exige vínculo real, conhecimento do território, das demandas locais e da realidade de quem vive aqui. Quando esse pertencimento não existe, o mandato tende a ser distante, genérico e pouco comprometido.

Cá entre nós, a ligação de Jorge Seif com Santa Catarina sempre pareceu circunstancial. Sua atuação discreta reforça a percepção de que o estado serviu mais como meio do que como prioridade. Isso não é perseguição, é constatação política.

O julgamento pode terminar em cassação ou absolvição. Mas o balanço político já está posto. O eleitor catarinense precisa ser mais exigente, mais atento e menos tolerante com mandatos vazios.

Santa Catarina não é trampolim político, nem laboratório eleitoral, nem território de passagem.
Santa Catarina é para catarinenses. Para quem vive aqui, conhece o estado e trabalha por ele. O resto é discurso.

@sabrinazminatto

Foto Capa/Redes Sociais Instagram

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