O inquérito que investiga o vazamento de informações privilegiadas e venda de sentenças em Tribunais Regionais e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) está longe do fim, com novas fases da operação previstas para os próximos meses e com um potencial que pode ser devastador. Fontes ligadas às investigações afirmaram que estão sendo cogitadas buscas e apreensões dentro da estrutura da segunda principal corte do país, o STJ, com a evidência do envolvimento de servidores no esquema criminoso.
Por enquanto, não há magistrados entre os suspeitos, mas ao menos quatro gabinetes de ministros estão na mira das apurações conduzidas pela Polícia Federal (PF) por determinação do ministro Cristiano Zanin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). No ano passado, durante uma das fases da operação, a PF afirmou em manifestação ao STF que seria precipitado descartar a possibilidade de envolvimento de juízes, desembargadores ou até ministros nos crimes investigados.
Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Divulgação/SulSC
Essas investigações já resultaram em pelo menos nove fases da operação batizada de “Sisamnes” em um esquema que pode ter iniciado ainda em 2020, mas que começou a ser desvendado com a morte do advogado Roberto Zampieri, em 2023, em Cuiabá (MT). Foi a partir das investigações da execução do advogado e da perícia no celular dele que a polícia encontrou as primeiras evidências de crimes relacionados à compra de sentenças judiciais. Desde então, um emaranhado foi se revelando em diversos estados brasileiros. Há alvos presos ou investigados em pelo menos sete estados e no Distrito Federal.
E a operação – que investigava inicialmente um suposto esquema de venda de sentenças judiciais envolvendo empresários, advogados, lobistas, chefes de gabinete e magistrados – ampliou suas apurações. As primeiras fases revelaram indícios de corrupção, violação de sigilo funcional e exploração de prestígio, com pagamentos negociados em troca de decisões judiciais favoráveis e até assassinatos por encomenda.
Fonte/Gazeta do Povo
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