O debate sobre cotas precisa sair do campo do tabu e voltar ao campo da razão. Não se trata apenas de cor da pele. Hoje, políticas de acesso a vagas públicas combinam raça, gênero, renda e origem escolar. O resultado é simples: o indivíduo deixa de ser avaliado pelo que sabe e passa a ser classificado pelo grupo ao qual o Estado decide que ele pertence.
Igualdade não é isso. Igualdade é regra comum, critério objetivo e exigência igual. Quando o Estado substitui a capacidade por recortes identitários, ele não promove justiça. Ele altera o critério de seleção e institucionaliza distinções que a Constituição diz combater.
Raça e gênero não medem preparo, esforço ou competência. Não dizem quem estudou mais, quem se dedicou mais ou quem está mais apto a ocupar uma vaga pública. Universidade e serviço público não são espaços simbólicos. Exigem responsabilidade, conhecimento e capacidade comprovada. E isso não depende de identidade.
Defender mérito não é ignorar desigualdades sociais. É afirmar que elas devem ser enfrentadas onde realmente se formam: na educação básica falha, na ausência de formação técnica e na falta de oportunidades reais desde a infância. Atalhos no topo não corrigem a base. Apenas mascaram o problema e criam dúvidas sobre a legitimidade do resultado.
Quando vagas públicas passam a ser distribuídas por raça ou gênero, o Estado reduz pessoas a rótulos e enfraquece a confiança nas instituições. Não há inclusão verdadeira quando o critério deixa de ser claro. Há divisão, ressentimento e insegurança.

Quem estuda, se prepara e demonstra capacidade deve entrar. Homem ou mulher. Branco, negro ou pardo. A exigência precisa ser a mesma. O respeito também.
Capacidade não tem raça.
Capacidade não tem gênero.
E o Estado não deveria escolher vencedores antes da prova começar.
@sabrinazminatto
Foto Capa/Internet










