Polilaminina: Dra. Tatiana Coelho-Sampaio a cientista Brasileira que desafia a Paralisia

O que antes era restrito a protocolos experimentais e histórias isoladas de superação está se tornando um marco na neuroregeneração mundial. A polilaminina, uma molécula desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da Dra. Tatiana Coelho-Sampaio, surge como uma esperança concreta para pacientes com lesões medulares completas.

O que é a Polilaminina?
Diferente de medicamentos paliativos, a polilaminina é uma versão polimerizada (sintética) da laminina, uma proteína essencial que o corpo produz naturalmente durante o desenvolvimento embrionário para guiar o crescimento dos neurônios.

Em adultos, a capacidade de regeneração do sistema nervoso central é mínima. A polilaminina atua como uma “ponte biológica” ou um andaime molecular. Ela preenche a lacuna deixada pela lesão, permitindo que os axônios (prolongamentos dos neurônios) voltem a crescer e restabeleçam a comunicação entre o cérebro e os membros.

Do “Impossível” ao Primeiro Passo
A eficácia do tratamento ganhou os holofotes através de casos emblemáticos que desafiam o prognóstico médico tradicional:
Bruno Drummond de Freitas: Após um acidente cervical completo em 2018, Bruno recebeu a aplicação de polilaminina apenas 24 horas após o trauma. O que seria uma tetraplegia irreversível transformou-se em uma recuperação gradual. Hoje, Bruno não apenas anda, mas realiza atividades físicas intensas, como empurrar sua própria cadeira de rodas — agora utilizada apenas como acessório de apoio em momentos específicos.

O Caso de Minas Gerais: Recentemente, um paciente com lesão em T12 (região dorsal/lombar) apresentou movimentos ativos apenas 15 dias após a aplicação da substância. Antes do procedimento, o paciente não possuía sensibilidade ou controle motor abaixo do nível da lesão.

A Jornada Científica: 25 Anos de Silêncio e Persistência

A Dra. Tatiana Coelho-Sampaio dedicou mais de duas décadas de pesquisa laboratorial antes que os primeiros resultados em humanos fossem documentados. O desenvolvimento contou com o apoio fundamental da UFRJ e, mais recentemente, do Laboratório Cristália, que assumiu a produção em escala industrial para fins de pesquisa.
Resultados Preliminares:
Em testes iniciais controlados, 6 em cada 10 pacientes apresentaram melhoras significativas na função motora e sensorial.
A substância demonstrou ser segura em aplicações agudas (logo após o acidente) e crônicas (lesões antigas), embora os melhores resultados ocorram na fase aguda.

 

Foto/Internet

Status Atual e Desafios Regulatórios
Até recentemente, o uso da polilaminina ocorria sob protocolos de “uso compassivo” ou pesquisas experimentais isoladas. No entanto, o cenário mudou:
Autorização da ANVISA: Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou formalmente o início dos ensaios clínicos multicêntricos.

Fases do Estudo: O medicamento entra agora na Fase 1 e 2, onde a segurança e a dosagem ideal serão testadas em um grupo maior de voluntários em diversos hospitais do Brasil.

Produção: O Laboratório Cristália está à frente da fabricação, garantindo que a molécula mantenha a estabilidade necessária para aplicação cirúrgica.

O Valor da Ciência Real vs. O “Ruído” Digital
A história da polilaminina também serve como um manifesto contra a cultura do imediatismo. Enquanto o mercado de influenciadores muitas vezes vende soluções rápidas e milagres sem evidências, a Dra. Tatiana e sua equipe mostram que o progresso real é lento, rigoroso e baseado em fatos.

“A diferença entre um influenciador e um cientista é que um reconstrói a narrativa; o outro reconstrói o nervo.”

Este avanço coloca o Brasil na vanguarda da biotecnologia regenerativa, provando que o investimento em universidades públicas é a base para soluções que devolvem a dignidade e o movimento a milhares de pessoas.

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